>

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Histórias da Carochinha

Estudei no Diocesano 11 anos da minha vida. Nas minhas memórias escolares nada mais existe além dos pátios enormes cheirando a bomba da cantina, o túnel ‘futurista’ que ligava um prédio até o outro, a Dona Toinha, o irmão Guido e suas fichas de lanches, o Seu Roberval, as milhares de atividades culturais-artísticas-enrolativas que eu participava. A Praça Saraiva, o Mineirão...a coxinha pingando gordura do Mineirão.

Lembro que todo início de ano era a mesma coisa. A gente se ligava e dizia: Vamos ver se ficamos na mesma turma? E lá íamos... a cambada toda verificar se estávamos todos juntos por mais um ano. Mas em 1999 foi diferente. Depois de cinco anos com a minha patota, lá estava eu separada dela. Junto comigo mais uns três ou quatro desgarrados, que ficaram divididos cada um em uma turma diferente. Éramos os demônios, os capetas, aqueles que precisavam ser separados para a ordem prosseguir naquela turma C.

Pois bem, eu virei “F” e fiquei dois anos assim. Depois me mudaram pra A , depois pro B, depois...bom depois eu nem lembro mais. Fui pulando de galho em galho, mas com a diferença de que mais pessoas foram também se mudando e eu fiquei sem entender eternamente essa pedagogia troca-troca do Diocesano. Mais adiante eu fui entender que isso acontecia na vida lá fora também.

Na ''F 'eu fiz as melhores amigas do mundo, na "A" eu quase reprovei por pura vadiagem, nas outras salas eu fui indo, indo, indo. Arrumei amores , amigos, conversas, fui pegando livro emprestado entre um horário e outro porque conhecia todo mundo. Em todo lugar.

Em 2011, fazem exatos 17 anos que eu saí do C. A turma original resolveu via Facebook se reunir para fazer um remake da clássica foto de turma. Falando com um dos ‘demônios-mudados-de-sala-junto-comigo’ dizia que hoje eu entendia porque nós mudaram tão cedo da "C". Nós éramos diferentes. Mas a escola é muito cruel para os diferentes. Meu amigo Zé [ um dos demônios] é professor de história e eu virei jornalista. Não que isso seja lá grande coisa, mas eu tenho o maior orgulho. Orgulho de como a gente consegue enxergar a vida e de como a gente já conversava naquela época sobre isso.

Zé, seu preto...hoje eu entendo, quase 20 anos depois eu entendo tudo aquilo que chorei. Mas a gente merecia , Zé. A gente merecia mais. A gente continua merecendo. E isso que move.

2 comentários:

Aiara Dália disse...

a minha eterna inquietação é não saber de que me serviu o ano que eu passei fazendo cursinho.

Natalia disse...

Tu não sabe o quanto é gostoso ler um texto teu assim. Delicioso! Sempre tive problemas com pessoas do Diocesano. Pra mim todos eram demônios! Hoje só digo que ainda bem que não existe verdade absoluta e 99% das nossas impressões estão erradas.

:)